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O que são as amígdalas e adenoide ?
Ainda se opera amígdalas hoje em dia?
Se as amígdalas e adenoide são um
órgão de defesa, não é perigoso removê-las?
Se as amígdalas e adenoide vão diminuir com o tempo,
para quê operá-las?
Tem
sempre que operar as duas juntas (amígdalas e adenoide)?
Operar as amígdalas e adenoide vai
melhorar a alergia da criança?
Quando há necessidade de cirurgia de amígdalas e
adenoides ?
- Sintomas obstrutivos: ronco e sono agitado
- Respiração oral
- Desenvolvimento anormal do
crânio e da face
- Criança "vive resfriada"...
- Otites de repetição
- Amigdalites de repetição
Criança que não
operou mas continua com sintomas na adolescência ou vida adulta.
Ainda é a adenoide grande?
O que são as amígdalas e adenoide ?
As amígdalas são duas estruturas redondas que
ficam no fundo da boca (uma de cada lado). Elas
em geral
são
visíveis quando nos olhamos no espelho com a boca
bem aberta e a língua para fora ou com a boca
aberta e a língua comprimida pelo dedo ou uma
colher.
A adenoide é uma estrutura arredondada que fica
atrás do nariz e acima do céu da boca, em um
espaço chamado de rinofaringe. Ela não pode ser
vista a olho nu. Só é possível observá-la por
meio de radiografia ou endoscopia nasal. A
palavra adenoide quer dizer "vegetação", pois
ela parece "brotar" da parede posterior da
rinofaringe.
Tanto as amígdalas como a adenoide são feitas de
tecido linfoide, um tecido responsável por
ajudar o organismo a produzir anticorpos e
células de defesa. Não é a toa que elas ficam
próximas à boca e ao nariz, que são portas de
entrada importantes de micro-organismos.
As amígdalas e a adenoide costumam aumentar de
tamanho até os 5 ou 6 anos de vida, pois é
justamente esse o período em que entramos em
contato com novos germes. A partir daí ocorre
uma diminuição natural do tecido linfoide que as
forma, até que próximo à adolescência há apenas
uma quantidade residual delas (na maioria das
pessoas).
Em algumas crianças, o tamanho exagerado
(hipertrofia) das
adenoides e/ou amígdalas causa problemas de
saúde, a ponto de julgarmos que não dá para
apenas esperar que o tempo se encarregue de
diminuí-las. Nesses casos, vale a pena operar.
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Ainda se opera amígdalas hoje em dia?
Sim,
muitas vezes ainda há indicação. Nos Estados
Unidos a cirurgia de adenoide e amígdalas está
entre as cinco mais realizadas de todas as
cirurgias eletivas. Na Inglaterra é a cirurgia
mais comum de todas.
Certamente houve uma redução grande no número de
casos em que se indica cirurgia de amígdalas e
adenoide nos últimos 20 ou 30 anos. Contudo,
quando realmente há indicação,
nossa experiência é que a cirurgia é uma
verdadeira guinada para melhor na vida da
criança. Não raro as mães usam a expressão
"nossa, é outra criança" após alguns meses da
cirurgia.
A
Academia Americana de Otorrinolaringologia,
em
seu último consenso de 2008 sobre o assunto, diz
que "em muitos casos, a cirurgia pode ser mais
eficiente e menos custosa do que tratamentos
prolongados para infecções de garganta".
Se as amígdalas e adenoide são um órgão de defesa, não é
perigoso removê-las? A criança não vai deixar de ter amigdalite
para ter faringite ou pneumonia?
Em
primeiro lugar, é verdade que não se deve
remover amígdalas e adenoide sem um motivo forte
para isso. A cirurgia, mesmo sendo uma cirurgia
menor como a das amígdalas e adenoide, nunca
deve ser a primeira escolha de tratamento e só
se deve lançar mão dessa opção quando o
tratamento clínico (medicamentoso) não obtém
sucesso e quando os malefícios trazidos pela
hipertrofia das amígdalas e adenoide realmente
justifiquem o procedimento.
Em
segundo lugar, vários trabalhos comprovam (veja
3 dos mais importantes aqui:
1,
2 e
3) que o tecido linfoide das amígdalas e
adenoide que estão muito hipertrofiadas ou que
inflamam com muita frequência já não estão
trabalhando a favor do sistema imune da criança
(já não funcionam direito). A retirada das
amígdalas e adenoide doentes (veja bem, só das
que estão doentes) não prejudica o sistema
imune da criança. Pelo contrário, a
retirada delas deixa de sobrecarregar o sistema
imune com as infecções de repetição e ele passa
a funcionar melhor.
E
respondendo diretamente à pergunta, não. Não há
nenhuma evidência que crianças
adenoamigdalectomizadas (que operaram amígdalas
e/ou adenoide) tenham mais faringites e
pneumonias que o restante da população na mesma
faixa etária.
Resumindo, amígdalas e adenoide saudáveis fazem
falta e não devem ser removidas. Amígdalas e
adenoides realmente doentes prejudicam bem mais
que colaboram (se é que colaboram) e podem ser
removidas se necessário for.
Se as amígdalas e adenoide vão
diminuir com o tempo,
para quê operá-las?
Como
disse, porque muitas vezes seu tamanho exagerado
(hipertrofia) está prejudicando demais a
criança, a ponto de não ser possível
simplesmente aguardar alguns anos até que estes
tecidos reduzam de tamanho por si só. Uma
criança com amigdalite a cada 1 ou 2 meses, por
exemplo, faz uso de antibióticos incontáveis
vezes por ano, passa muito tempo doente, pode
ter dificuldade de ganhar peso. Não há como
aguardar 3 ou 4 anos dessa forma. Outra criança
que apresente qualidade de sono muito ruim (sono
agitado, roncos) por conta da hipertrofia de
adenoide, pode vir a ter inclusive sintomas
diurnos como sonolência ou hiperatividade. Nesse
caso, também fica muito complicado acompanhar a
luta da criança todas as noites para respirar
por vários anos, principalmente nos casos
em que o tratamento clínico se mostrar ineficaz.
Como
tudo em medicina, a decisão de operar é baseada
em uma balança entre risco e benefício. Quando o
benefício da cirurgia é nítido e supera sem
sombra de dúvida o risco do procedimento,
deve-se operar.
Tem sempre que operar as duas juntas (amígdalas e
adenoide)? É possível operar apenas uma e não a outra?
Sim,
é possível. Não é
preciso sempre fazer a remoção de ambos os
tecidos (amígdalas e adenoide). Em alguns casos
pode-se isolar o problema apenas em um dos dois
e intervir apenas nesse. Outras vezes, ambos os
tecidos contribuem para as queixas e devem ser
operados em conjunto.
Operar as amígdalas e adenoide vai
melhorar a alergia da criança?
Não,
a cirurgia das amígdalas e adenoide não vai ter
efeito significativo sobre a alergia
respiratória. Mas a verdadeira pergunta é: "O
que a criança tem é mesmo rinite alérgica ou é
consequência direta da hipertrofia de
adenoide?". A hipertrofia de adenoide
normalmente causa nariz entupido e coriza de
forma muito semelhante à rinite alérgica. Nesses
casos, os sintomas melhoram sim com a cirurgia.
Veja mais sobre isso
aqui.
Quando há necessidade de cirurgia de amígdalas e
adenoides ?
A figura abaixo resume bem o que devemos levar em
consideração ao decidir sobre uma cirurgia de
amígdalas e adenoide na criança. Na verdade,
nenhum dos problemas relacionados na
figura acima irão isoladamente definir a
necessidade da cirurgia, mas sim um
mosaico da presença ou não destes sintomas e da
sua intensidade.

- Sintomas obstrutivos: ronco e sono agitado
Essa
é uma das manifestações mais comuns da adenoide
muito aumentada de tamanho (hipertrofia de
adenoide): o ronco da criança.
Muitas vezes os pais referem que a criança
"ronca que nem adulto", todas as noites, mesmo
quando não está resfriada. Junto com o ronco
costuma vir uma noite mal dormida, em que a
criança se bate na cama e roda para todos os
lados, algumas vezes também acordando com
frequência no meio da noite.
Isso ocorre porque a hipertrofia de adenoide
diminui consideravelmente o espaço para a
passagem do ar atrás do nariz. A criança faz
mais força para puxar o ar, isso gera a vibração
dos tecidos das vias aéreas, causando o barulho
do ronco.
Outra consequência é a criança abrir a boca para
facilitar a respiração, levando-a a babar
bastante (sialorreia noturna) e acordar com a
garganta ressecada e incomodando.
Nos casos mais graves a criança pode ter
apneia do sono, isto é, apresentar
vários momentos em que para de respirar por
alguns segundos durante o sono. Nesses casos não
raro pode-se ouvir a respiração ruidosa da
criança mesmo com ela acordada.
- Respiração oral
Outra consequência óbvia da hipertrofia de
adenoide dificultando a passagem de ar pelo
nariz é a respiração oral de suplência
(ROS), ou simplesmente respiração oral.
Isto é, a criança fica o tempo todo com a boca
entreaberta.
Surge então um conflito muito comum que é a
briga dos pais para que a criança feche a boca.
Se realmente há uma hipertrofia de adenoide,
isto chega a ser cruel, pois a criança
simplesmente não vai conseguir ficar de boca
fechada. Ela realmente precisa da ajuda da boca
entreaberta para respirar.
- Desenvolvimento anormal
do crânio e da face
Na tentativa de aumentar o espaço atrás da
garganta para a passagem de ar, a criança tende
a protruir a língua (jogar a língua para frente
e para cima). Esse movimento empurra os dentes
para frente e o céu da boca (palato) para cima.
O resultado dessa "pressão" ao longo de anos é a
protrusão dentária e o "palato ogival" (curvo
para cima). A deformidade palatal, por sua vez,
deforma o septo nasal (pois o teto da boca é o
assoalho do nariz), causando um desvio de septo
na vida adulta.
Além dessas deformidades, a respiração oral
afeta de maneira impressionante a forma como os
ossos da face crescem e o formato que eles
adquirem. O terço médio da face tende a se
alongar, a maxila fica mais estreita e a
mandíbula mais para trás (retrognatismo). A
desobstrução do nariz pode muitas vezes reverter
ou minimizar esse desenvolvimento anormal da
face.

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- Criança "vive resfriada"...
Assim como a hipertrofia de adenoide dificulta a
respiração nasal (porque bloqueia a passagem de
ar ao final do nariz), ela também desequilibra o
funcionamento da mucosa do nariz. O muco
produzido pelo nariz que normalmente escoa para
a garganta ou evapora acaba acumulando no nariz,
e o resultado é que a criança está sempre
"encatarrada", como se estivesse o tempo todo
resfriada, quando na verdade não se trata de
resfriado, mas de uma consequência da
hipertrofia adenoideana.
O mesmo quadro outras vezes é interpretado como
alergia ("a criança é muito alérgica", ou ainda
"ela vive com rinite"). Embora seja possível a
associação entre hipertrofia de adenoide e
rinite alérgica, muitas vezes o problema é mesmo
a hipertrofia de adenoide. Alguns exames de
sangue e a citologia nasal (uma análise no
laborátório das células obtidas da secreção do
nariz com uma espécie de cotonete) podem ajudar
a tirar essa dúvida.
Além do acúmulo de muco no nariz, a própria
adenoide hipertrofiada também inflama: é a
chamada adenoidite,
que tem sintomas muito semelhantes a de
um resfriado.
- Otites de repetição
e perda auditiva
A adenoide fica muito próxima do "túnel" que
comunica o ouvido com a garganta, a chamada
tuba auditiva. Quando a
adenoide aumenta de tamanho, pode acabar
ocluindo esse túnel e com isso impedindo a
entrada e saída de ar no ouvido. Isso pode
causar otites de repetição.
Além de todos os inconvenientes do
uso de antibióticos de forma recorrente por
conta das otites, a criança cujo ouvido inflama
com muita frequência acaba acumulando líquido
nos ouvidos, o que causa uma perda auditiva
leve. Essa perda auditiva é reversível com a
absorção ou drenagem do líquido, mas é um
problema que merece atenção. Isso porque uma
perda auditiva leve na idade adulta não tem
tanta importância quanto uma perda auditiva na
infância, quando a criança está adquirindo
linguagem. Esse tipo de perda é suficiente para
impedir que a criança perceba diferenças entre
fonemas como "p" e "b" ou "t" e "d". O adulto já
sabe que a palavra é "batata" e não "badada". A
criança ainda está aprendendo e se não escuta
bem nessa fase pode ter problemas de linguagem
persistentes. Por isso as perda auditiva por
conta da hipertrofia de adenoide é um fator que
fala muito a favor de cirurgia.
- Amigdalites de repetição
Esse é outro problema dos mais comuns na
hipertrofia das amígdalas: as inflamações de
garganta recorrentes.
Nesse ponto é importante fazer a distinção entre
amigdalites de repetição (que nesse caso
são
infecções bacterianas recorrentes das amígdalas)
e simplesmente dor de garganta por conta do
ressecamento da mucosa oral (em consequência da
respiração oral) ou mesmo por "resfriados" (que
podem ser adenoidites) recorrentes. Nas
amigdalites de repetição a criança fica
prostrada, tem febre e sente dificuldade para se
alimentar, porque quando engole dói. Estes casos
vão em boa parte necessitar de antibióticos, ao
passo que uma leve dor de garganta que não
interfere com a alimentação raramente é causada
por amigdalite bacteriana.
Mais do que simplesmente avaliar quantas
amigdalites a criança tem por ano (consideramos
5 ou mais em um ano ou mais de 3 por ano por
vários anos seguidos uma quantidade que nos faz
pensar em cirurgia), é preciso observar o uso
recorrente de antibióticos, se estes causam
efeitos adversos na criança e ainda o ganho de
peso em meio a tantas infecções.
- A criança
tinha aumento de adenoide e não operou. Agora que já é
adolescente ou adulto continua roncando e com o nariz entupido.
Ainda é a adenoide grande?
Muito provavelmente não. Enquanto as amígdalas
em alguns casos podem ser grandes mesmo em
adultos, a adenoide é quase impossível que se
mantenha grande a ponto de dificultar a passagem
do ar pelo nariz. O que ocorre nesses casos é o
chamado ciclo vicioso do respirador
oral. Isto é, inicialmente a criança é
uma respiradora oral por conta do aumento da
adenoide. Aí
o crescimento ósseo anormal da face por
conta da respiração oral resulta em um desvio de
septo na vida adulta ou já na adolescência. A
adenoide regride, mas a pessoa continua sendo
uma respiradora oral agora por conta do desvio
de septo, que obstrui o nariz da mesma forma.
Nestes casos pode ser necessária a
correção do desvio de septo (septoplastia).
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