Veja as principais diferenças entre otite média
e otite externa:
Por que algumas
crianças têm muitas otites ?
Novamente, as causas variam de acordo com o tipo
de otite: otites externas de repetição ou otites
médias de repetição.
No caso das otites externas,
tanto em crianças quanto em adultos, uma das
principais causas de recorrência é justamente a
manipulação do conduto auditivo. Usar cotonete,
coçar com a unha ou tentar "remover cera" de
várias formas acaba machucando a pele do conduto
e gerando inflamações recorrentes. É bem verdade
que em muitos casos a criança faz isso porque
sente coceira, devendo-se então tratar o prurido
com medicação tópica (gotas de ouvido) para
quebrar o ciclo vicioso.
Veja aqui mais informações sobre cerumen
e otites externas.
Outras vezes as otites externas recidivam porque
não foram tratadas adequadamente. A pele do
ouvido ainda está vermelha (inflamada), mas
causando poucos sintomas. Aí basta uma pequena
agressão (manipulação, ou manter a pele úmida
por muito tempo) para a infecção voltar.
Algumas pessoas têm realmente uma propensão à
otites externas e devem tomar um cuidado maior
para manter a pele do conduto auditivo seca,
usando tampões para mergulhar. O uso do tampão,
no entanto, não é necessário para todos os
casos, muito menos recomendado para pessoas que
não tenham otites de repetição.
Em relação à otite média, as
causas são bem diferentes e o controle da
recorrência mais difícil.
A otite média costuma advir de um quadro de
resfriado, mas isso não é obrigatório. Algumas
crianças reclamam de muita dor no ouvido, mas
sem febre, enquanto outras apresentam febre alta
quase sem dor de ouvido (otite silenciosa). Ou
seja, os sintomas variam bastante.
São fatores predisponentes frequentes de otites
médias de repetição na criança:
1) Aumento do tamanho das adenoides.
Essa é uma das causas mais frequentes de otites
de repetição. A adenoide aumentada
(hipertrófica), além de levar a criança a roncar
e respirar pela boca, também causa otites de
repetição. Isso porque existe uma comunicação do
ouvido com a garganta chamada tuba auditiva, que
desemboca na garganta bem do lado de onde fica a
adenoide. Se a adenoide está aumentada, pode
obstruir a saída desse túnel, impedindo o fluxo
de ar adequado da orelha média e causando
otites.
Leia mais sobre aumento de adenoide aqui.
2) Rinite alérgica
É bem verdade que existe uma certa controvérsia
na literatura científica em torno da ideia que a
rinite alérgica aumenta o número de otites. Mas
a maioria dos otorrinolaringologistas acaba
incluindo o tratamento para rinite alérgica como
uma das formas de evitar as otites de repetição.
3) Creche e escola
É
bastante comum a criança ficar várias vezes
resfriada e com otites logo depois que começa a
frequentar a creche ou escola, ou ainda quando
muda de escola. Isso porque ela está entrando em
contato com um pool (conjunto) de novos germes
contra os quais não tem ainda imunidade.
Surtos de virose na escola, que podem causar
otites, também são quase inevitáveis. Sempre que
a criança estiver resfriada, convém afastar da
escola por dois ou três dias, mas sabemos das
dificuldades dos pais que trabalham de organizar
suas vidas para manter as crianças em casa sem
aviso prévio. O resultado é que as viroses
realmente se espalham, e podem ter gravidade
diferente em cada criança.
4)
Cigarro (Tabagismo)
Está mais que comprovado que crianças cujos pais
fumam têm mais otites por conta do fumo passivo.
Portanto, não há muito mais o que dizer nesses
casos a não ser "pare de fumar". Traz um
benefício enorme para pais e filhos.
5)
Aleitamento materno
É bem sabido que crianças que não mamam no peito
até os 6 meses de vida têm mais otites do que as
que estão em aleitamento materno. O leite
materno transfere para a criança anticorpos e
células de defesa. Além disso desenvolvem a
musculatura orofacial e diminuem o refluxo, o
que também diminui as chances de otites.
6) História familiar
Crianças cujos irmãos ou pais tiveram otites de
repetição têm mais chance de desenvolvê-las
também, provavelmente por uma predisposição
genética.
7) Causas mais raras
Dentre algumas causas mais raras, que podem ser
investigadas, estão as deficiências de
imunoglobulinas e a alergia ao leite de vaca.
O que fazer para acabar com as
otites de repetição na criança?
A palavra principal é ACOMPANHAR.
A criança com otites de repetição deve ser
acompanhada de perto por um
otorrinolaringologista. Ele vai tentar
identificar os fatores predisponentes (como os
citados acima) e atuar sobre eles, utilizar
medicações sintomáticas nas gripes e resfriados
para tentar evitar que elas se transformem em
otites e ainda decidir se há necessidade de
antibióticos, procurando minimizar o seu uso.
É interessante dizer que o exame do ouvido de
uma criança que tem otites de repetição pode não
ser "normal", mesmo quando a criança NÃO está
com otite média naquele momento. Muitas vezes a
membrana timpânica assume uma coloração
diferente, torna-se mais espessa, e isso pode
levar alguns pediatras a optarem por iniciar
antibiótico quando na verdade não haveria
necessidade. Por isso é realmente importante um
acompanhamento sempre com o mesmo médico.
A vacinação, tanto
contra gripe quanto contra o pneumococo
(vacina anti-pneumocócica),
também é uma medida importante de prevenção de
novas otites.
Outras vezes, dependendo da frequência e
gravidade das otites, é preciso fazer uma
intervenção cirúrgica, em especial por causa das
adenoides, ou ainda para colocar um carretel
(tubo de ventilação) no ouvido.
O
que é o carretel (tubo de ventilação) ?