A palavra LASER é na verdade uma abreviatura de "Light
Amplification by Stimulated Emission of Radiation". Trata-se de
um tipo de luz de características muito especiais: ela é
monocromática (possui frequência muito bem definida), coerente
(possui relações de fase bem definidas) e colimada (propaga-se
como um feixe). Essas características permitem que o LASER
concentre grande quantidade de energia e extrema precisão. Para
a cirurgia, precisão é algo extremamente desejável.
Na
verdade, existem vários tipos de LASER (com vários comprimentos
de onda e características). Cada tipo tem a suas
particularidades e se presta melhor para este ou aquele
procedimento cirúrgico. As possibilidades de uso são inúmeras e
a literatura científica não para de se multiplicar sobre o
assunto.
As
grandes vantagens do uso do LASER são:
Menos edema (inchaço) dos tecidos no
pós-operatório, uma vez que a precisão do corte leva a um trauma
mínimo dos tecidos adjacentes.
Recuperação mais rápida.
Sangramento mínimo, uma vez que a alta
concentração de energia literalmente evapora o tecido operado.
A maior parte dos procedimentos necessita
apenas de anestesia local, justamente pela precisão e menor
manipulação dos tecidos.
Menos dor no pós-operatório.
Isso não significa dizer que o LASER está indicado para todas as
cirurgias nem que tudo deve ser operado a LASER. Ele é apenas
mais uma arma que o médico pode lançar mão quando julgar útil.
Mas é sempre bom lembrar que LASER não opera sozinho nem faz
milagre. Se a cirurgia for mal indicada ou mal executada, o
resultado não será bom da mesma forma que na técnica
convencional.
Muitas pessoas ainda sofrem com amigdalites de repetição várias
vezes ao ano, atrapalhando a produtividade no trabalho, o lazer
e obrigando o uso recorrente de antibióticos. Outra queixa comum
das amígdalas grandes ou que inflamam com frequência é a
halitose (mau-hálito), que pode vir acompanhada da eliminação de
uma massinha branca e mal cheirosa chamada "caseum". Apesar de
sempre ser preferível o tratamento medicamentoso, muitas vezes
essas queixas só podem ser controladas com a cirurgia das
amígdalas.
A técnica de cirurgia convencional das amígdalas ainda é a mais
usada e sofreu poucas modificações nos últimos 40 anos. Ela
consiste na ressecção das amígdalas com instrumentos de metal
(ressecção a frio), sob anestesia geral. As amígdalas são
removidas por inteiro, incluindo suas cápsulas, expondo a
musculatura que ficava sob ela. Isso gera um certo desconforto
no pós-operatório.
A técnica a LASER não necessita de anestesia
geral, sendo feita com anestesia local. A amígdala não é
removida por completo mas sim reduzida substancialmente até a
eliminação das criptas (buracos nas amígdalas que costumam
acumular restos alimentares e com isso desencadear infecções).
Como a cápsula é preservada, não há exposição da musculatura
subjacente e com isso a recuperação é mais rápida e um pouco
menos dolorosa (embora não seja indolor).
Por outro lado, por preservar parte do tecido amigdaliano, a
técnica a LASER pode necessitar de um "retoque" em alguns casos
pelo paciente ainda apresentar vez por outra inflamações de
garganta, embora a maioria não necessite.
Técnica Convencional
Técnica a LASER
- Remoção completa das amígdalas.
- Anestesia geral.
- Expõe a musculatura subjacente.
- Mais dor.
- Serve para adultos e crianças.
- Não necessita de "retoques".
- Recuperação um pouco mais lenta.
- Preserva algum tecido amigdaliano.
- Anestesia local.
- Não expõe a musculatura subjacente.
- Menos dor.
- Sob anestesia local, apenas para adultos.
- Pode necessitar de "retoques", porque preserva parte
do tecido amigdaliano.
- Recuperação mais rápida.
Outros pacientes não sofrem especificamente de amigdalite de
repetição mas de faringites devido à presença
de grânulos linfoides na parede posterior da faringe, o que
alguns autores chamam de faringite granulosa.
Nestes casos a remoção a LASER desses grânulos sob anestesia
local, no próprio consultório, podem acabar com as inflamações
recorrentes. Também pode ser necessária mais de uma sessão.
Novamente a vantagem é a realização do procedimento sob
anestesia local, de forma indolor, com rápida recuperação. Não
há necessidade do uso de tampão. O sangramento é mínimo.
A cirurgia a LASER do septo e dos cornetos não está indicada
para desvios muito grandes, quando a técnica convencional ainda
tem melhores resultados. Ainda dentro do princípio da cirurgia a
LASER, mais de uma sessão pode ser necessária para se obter o
resultado final (procedimentos seriados).
Quando a sinusite é causada pelo desvio de septo e/ou
hipertrofia de cornetos, a cirurgia
do septo e dos cornetos a LASER pode estar indicada. Mas
quando é necessário intervir diretamente nos seios da face, não
há indicação de cirurgia a LASER, mas sim de
cirurgia endoscópica
nasal.
Algumas vezes um novo procedimento, menos invasivo, chamado de
sinusoplastia por balão,
pode ser utilizado.
Existem inúmeras indicações do uso do LASER na cirurgia de
laringe, incluindo cirurgia de tunores em estado inicial,
cirurgia do papiloma laríngeo, cirurgia das sinéquias e
membranas das pregas vocais, etc.
O LASER não está indicado para cirurgia de nódulos os pólipos de
cordas vocais.
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